Textos

*extraídos do livro Quãm e os Indícios Mortais

"Lá estava eu, de laser em punho, ofegante, apontando a minha Hauter 666, para a cabeça do infeliz. Estivera a sua procura por dois dias inteiros, tempo demais para mim. O suor escorria pelo meu rosto como rios caudalosos e hesitava quanto ao que deveria fazer. Agora todo o ódio e todos os motivos se embaralhavam na minha mente. Nada mais parecia tão certo."

"Das pedras surgiram duas panteras negras acompanhando os movimentos sensuais da garota que por sua vez as incitava a se aproximarem mais. Elas cuidadosamente se moviam para perto, cercando-a, prontas para atacar. Quando num movimento rápido pularam sobre ela e os três foram engolidos pela água holográfica que borbulhou exageradamente. Voltaram a emergir e as panteras negras lentamente se transformaram em morfos totalmente fenotípados, deixando somente a estrutura óssea denunciar a humanidade."

"O ardor dos beijos aumentou. Afastamos a comida e o vinho, tirei a bota com os pés e subi completamente na cama. Deitei-a suavemente. Ela tirou o tênis e me abraçou acariciando as minhas costas e nuca."

"Um grito e instantaneamente os olhos de Roberto Callado se abriram, outro grito e depois mais outro, mais forte e estridente. Aflito e assustado, se encolheu num canto. Um novo grito cortou o ar, longo e doloroso, porém sem a força dos primeiros. O silêncio e depois o choro das crianças assustadas dos outros cômodos, abafadas com certeza, pelas mãos dos pais temerosos em chamarem a atenção. Pelo vão do quarto de Roberto Callado viu-se primeiro a sombra, movimentando-se pela parede, lenta e avassaladora."

"Ainda no chão viu dois neocons com suas armaduras negras se aproximarem, prontos para atacá-lo. Melzen se levantou. O medo não existia mais, a “Paz” o envolvia e a “Tranquilidade” emanava dele. Tinha estado com Deus e ele nunca mais o abandonaria. Seguro de si deu meia volta e foi embora. E os neocons não o atacaram."

"Lá estava Guinox, num dos telhados de uma imensa construção, em pé e altivo sobre uma gárgula de pedra esverdeada, tendo a sua frente somente o vazio que circundava a cidade. Uma chuva forte irrompera repentinamente e apesar da água cair torrencialmente, nem se incomodou com ela, estranhamente observava a imensa escuridão."

"A porta do biocone deslizou. Agarrada firme pelo braço foi retirada da câmara. Pisou no chão duro com os pés descalços. O corpo nu se arrepiou com o contato frio da pedra e se encolheu por um instante, também sentindo toda a sua aspereza.

    - Vamos garota. Eu não tenho tempo a perder.

     - Onde está me levando? - indagou à robusta mulher.

    - Aqui não se fazem perguntas. Você só obedece. Se for esperta seguira tudo que a mandarem fazer. Ouça esse conselho e poderá viver alguns anos a mais. Senão vai acabar se arrependendo de estar viva.

          - Mas afinal, onde estou? - suplicou.

         - Eu diria que aqui é o inferno, mas esse lugar é muito pior do que isso."